
Em carta destinada ao escritor Rinaldo de Fernandes, Ivan Junqueira, membro da Academia Brasileira de Letras, resumiu em palavras certeiras a experiência de ler a obra Rita no Pomar.
Relata Ivan: “Rita no Pomar é uma curiosa mistura de transgressão e lirismo na análise da sempre dolorosa condição humana, o que torna o romance um testemunho emocionado e perturbador da solidão contemporânea”.
Os comentários de Ivan vão ao encontro da minha resenha: “Rita no Pomar : um romance para nossos tempos” . No texto, arrisco ter encontrado no livro elementos que captam muito bem o mundo contemporâneo. Ao trocar a cidade grande por um cenário deserto e paradisíaco, Rita não consegue deixar de espelhar o mundo moderno (ou pós-moderno).
Mesmo sozinha, ela gera um fluxo de informações não lineares, em escritos e conversas com o seu cachorro (o qual se transforma em interlocutor para suprir o desejo de comunicação da dona).
Para entender o universo de Rita, ou ao menos partilhar dele, o leitor acaba se alimentando, como o próprio Pet, das “migalhas” deixadas ao longo das páginas.
Nesse trajeto, há a beleza das descobertas e uma espécie de incômodo típico de quem ouve as confissões de um estranho e por algum motivo não consegue se desviar dele. Essa cumplicidade que temos com a personagem foi, até certo ponto, elucidada por Ivan Junqueira: Rita reflete a nossa própria solidão.

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